Bullying: pode ser comum, mas não deve ser encarado como normal

Violência física ou verbal, psicológica, intencional, a uma pessoa ou a um grupo de indivíduos, com o objetivo de intimidar e humilhar. A definição está clara em oposição a incógnita da manutenção deste comportamento em meio a uma juventude denominada “geração tolerância” pela conceituada Revista Veja (matéria de capa da edição de 12/05/2010).

Uma geração que ainda teme a reação dos pais ao afirmar a preferência sexual por indivíduos do mesmo sexo, mas que se sente segura em meio aos colegas da escola. Tanto que na edição citada acima, os jovens não cogitaram esconder o nome ou o rosto. Eles não se vêem mais como “um grupo a parte”, ser gay é apenas mais uma de suas singularidades.
A tão complicada adolescência, fase de incertezas e conflitos, em que se sentir aceito é decisivo para a saúde emocional, está surpreendendo. De fato, talvez muitos adultos precisem aprender com os chamados “aborrecentes” que hoje não se encaixam mais em estereótipos.

Mas, estamos falando do outro lado da moeda, o que ainda não aceita o “diferente” e o ridiculariza. Independente da situação ou lugar, o bullying envolve uma estrutura de poder entre o agressor (bully) e a vítima. O que muita gente não identifica é o terceiro personagem, fundamental para que o “espectáculo” aconteça, o espectador.

Os agressores, normalmente, possuem personalidade autoritária e dominadora, necessitam do controle do outro para formar uma boa imagem de si próprio. Por outro lado, a vítima, geralmente, apresenta baixa autoestima, timidez e dificuldade em socializar-se. Tal submissão é a engrenagem necessária para a repetição das agressões.

A tecnologia não deixa nem mesmo as situações negativas à margem, hoje, além do bullying, há o cyberbullying. O anonimato, a velocidade e a abrangência de troca de informações, mensagens e imagens que a Internet proporciona, tornam o ataque ainda mais perverso. A vítima perde até o direito de saber como ou de quem deve se defender.

Já que é dentro dos muros da escola que adolescentes passam ainda grande parte do seu tempo, cabe ao entrelaçamento de pais e educadores grande parte da responsabilidade na orientação e extinção deste tipo de comportamento. A escola precisa, antes de mais nada, reconhecer que é um local passível de bullying, informar professores e alunos e deixar clara a sua posição de não aceitação da prática. Os pais devem ficar atentos quanto ao comportamento dos filhos, ensiná-los a respeitar as diferenças e impor limites. Distinguir o sutil limiar entre uma piada aceitável e uma agressão é o ponto de partida.

Quando detectado, o bullying deve ser combatido de forma adequada. Um castigo não deve ser visto como vingança ou penitência, e sim, como parte do processo educativo, se possível, possibilitando uma oportunidade de reparar o erro. A expulsão não elimina a violência na escola, apenas a exime de lidar com o problema.

Os danos que a prática pode causar são extensos para a vítima: desde dores abdominais e diarréia até transtorno do pânico, trantornos alimentares, fobia escolar, isolamento, e nos casos mais graves, o suícidio por se considerar merecedora do sofrimento. Já para o agressor, a ausência de valores e moralidade pode levar a consequências incalculáveis ao longo da vida. Estudos relacionam a prática do bullying na infância com comportamento criminoso e violência doméstica na vida adulta.

Portanto, exercitar o diálogo e ficar atento a socialização é tão ou mais importante que tomar conhecimento do aproveitamento escolar. O ensino de valores básicos desde cedo favorece o bom uso do poder e a ética de convivência. Educação é isto!

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