Marjorie Vicente? Psicologia de Imagem?

O nome é incomum… a atuação também!

Na contramão do código de linguagem que rege a nossa vida social, Marjorie Vicente, se propõe a agir como “As You Like It” de Shakespeare e se “travestir” na vida de seu cliente para assim entendê-lo de coração aberto e sem qualquer pré-julgamento ou comportamento esperado.

Os preceitos da Abordagem Centrada na Pessoa são valores de vida para a Psicóloga de Imagem, empatia, aceitação positiva incondicional e congruência fazem parte do seu  dia-a-dia, seja nas relações profissionais ou pessoais. A idéia é que quanto mais a pessoa se sentir aceita, mais ela será ela mesma e as relação serão mais verdadeiras, até em momentos desfavoráveis.

Mesmo com todo o avanço da tecnologia e modernidade que bate a nossa porta todos os dias, ainda ritualizamos (aniversários, casamentos, funerais) e temos sentimentos obrigatórios tão incorporados que desempenhamos papéis sem nem ao menos perceber.  Quando nos damos conta, estamos agindo como o que esperam de nós, e nem sempre como de fato desejamos ou sentimos. O estranho seria alguém sorrir em um funeral ou chorar de tristeza em um casamento, não é mesmo?

Outro ponto importante é a diferença crucial entre ritual e rotina, respectivamente, a vida como gostaríamos que fosse, e a vida como de fato é. São os pólos do prazer e da realidade. Marjorie Vicente em sua abordagem, propõe que as pessoas não busquem o temporário ou imediato, mas, que travem um pacto de bem estar consigo mesmo. Uma festa em que a expectativa não seja maior que o momento, e que não deixe um vazio na manhã seguinte.

Martha Medeiros traz uma reflexão incrível em “Festa no Outro Apartamento”, vivemos acreditando que o outro tem mais motivos para ser feliz, ou que quando conseguimos determinada coisa, a felicidade estará ao nosso lado. Atualmente, a felicidade provavelmente esteja atrelada a um corpo magro, uma carreira bem-sucedida e um amor eterno. Temos todo tipo de bombardeio de influências para acreditar nisto.

Daí a necessidade de aprender a questionar, de não aceitar simplesmente o que nos é imposto como sinônimo de felicidade… até mesmo a família do comercial da “Doriana” está em extinção. O século XXI não aceita mais estereótipos e “pré-conceitos”, é preciso vivenciar e descobrir nesta experiência o que de fato faz sentido para cada um de forma extremamente particular.

“Pessoas bem-resolvidas são pessoas que estão à vontade nos papéis que desempenham.” Não proponho uma desordem social, uma rebeldia ou qualquer coisa do tipo, mas sim, que cada pessoa se encontre em sua essência e que tenha consciência ao acordar que pode decidir ser feliz ou não naquele dia, e, em todos os outros.

A Psicologia de Imagem é a busca pelo equilibrio entre o que você gostaria de ser e o que de fato é. Para tanto, é necessário uma análise dos desconfortos e das reais motivações para mudança, um confronto entre a auto-percepção e realidade, e por fim, uma aproximação do “desejado”.

Parece contraditório a importância do outro neste processo, já que  falamos tanto em sentido subjetivo e pessoal de cada situação. Mas, vivemos em sociedade e nela aprendemos muito sobre os outros e sobre nós mesmos. Este contraponto é de extrema importância, muitas vezes a auto-percepção está completamente distorcida.

Neste momento, precisamos ter a humildade de admitir que se a maior parte das pessoas tem uma opinião que difere da nossa, vale a pena olhar para isto e ao menos se questionar e procurar ajuda. É o caso das anoréxicas que se enxergam gordas enquanto a caquexia está clara para todos ao seu redor. Mas, ainda neste momento, é importante não julgar e procurar mergulhar no sofrimento do outro, para assim entendê-lo e ajudá-lo da melhor forma possível.

A crise não é de toda ruim, aliás, ela é propulsora de grandes mudanças e revelações. O confronto exige criatividade e solução, neste momento, o ser humano tem uma grande chance de auto-conhecimento e crescimento. Como as mãos que se reinventam de Escher.

A Psicologia de Imagem se propõe a deixar as rédeas da própria vida com cada indivíduo. Durante todo o processo de mudança, o personagem principal é convidado a passar pela separação ou despedida do que foi, ser firme na transição para não se permitir ser moldado e por fim, inaugurar a nova forma de se ver e se colocar diante do outro. Inaugurar porque “tomar posse” seria apenas “se fantasiar” de um novo papel, e inaugurar é de fato se sentir escolhendo o caminho, reconhecer as limitações e possibilidades que o rodeiam e discernir buscar o que de fato se deseja e é possível.

Lembrando que uma primeira impressão não possui uma segunda chance para ser positiva, e é formada nos primeiros 30 segundos de contato. Porém, uma imagem, é construída no dia-a-dia. Seja congruente com o que você acredita, e não tenha medo de mudar quando julgar necessário. Estamos em constante evolução e quando há movimento, há sentido positivo, mesmo que não passível de entendimento em um primeiro momento. É de suma importância contextualizar e não julgar!

Para finalizar uma citação de Carl Rogers que resume com maestria tudo o que foi escrito até aqui:

” Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro, e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele. ” (Carl Rogers)

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