Infância, Identidade e Vestuário

Amarelo para o dia do nascimento trazendo sorte e prosperidade para o recém-nascido, vermelho para saída da Maternidade simbolizando proteção e afastando o mau olhado. Não é assim que a maioria das Mamães organiza a tão sonhada malinha?! 

Não aqui nos USA! Os profissionais de saúde daqui têm pavor das nossas roupinhas lindas e cheias de detalhes… a praticidade impera, o bebê veste apenas o “body” e o charutinho feito com o próprio lençolzinho (mais durinho, algo como um cobertor leve) da Maternidade mesmo… 

No meu caso, isto foi uma parte muito pequena da “desromantização” de todo o ritual do nascimento que aprendemos a idealizar desde muito cedo dentro da nossa cultura. Eu desenvolvi colestáse (assunto para outro post) no final da minha gestação e a Georgia precisou nascer com 34 semanas e 06 dias exatamente. Diante de uma realidade de UTI neonatal, quem se preocupa com cor de roupa?! Onde fica o estranhamento de não receber familia e amigos que estão no seu país natal?! A pirâmide de Maslow aqui passa a fazer mais sentido do que nunca, o êxito da sobrevivência não deixa espaço para mais nada! 

Sempre tive como bússola o que era confortável para a Pequena, muito pelos ensinamentos do tempo de consultora de enxoval que se confirmaram demais na prática: body, macacão, muito body e mais macacão… antes do bebê sentar, camisetinhas e camisas só para ocasiões especiais e olhe lá 🙈, sapato só é necessário para bebê que já anda… eu sei, é fofo, mas, antes disto só serve pra ficar sem par 😬, calça jeans antes dos 08 meses (😳)?! Só pra fazer graça em uma ocasião especial, tirar foto e trocar o bebê em seguida! 😉

É verdade que eu tive a minha filha em um país em que as pessoas vão ao mercado de pijama e “tudo bem”, ou seja, entendo que a pressão seja outra, mas, o bebê já tem que se adaptar a tanta coisa aqui fora, tem tanto a desenvolver, pra quê complicar deixando-o apertado ou incomodado?!?! 🤷‍♀️

Tendemos a não enxergar na criança e muito menos no bebê, um outro ser humano. Como se não bastasse a simbiose “mãe-bebê” tão importante para a sobrevivência nos primeiros meses de vida, muitas vezes, quem está de fora coloca ainda mais elementos nesta díade.  A identidade da Mãe, ou melhor, a forma como ela é vista acaba muitas vezes se misturando com a expectativa do vestuário da filha… escutei incontáveis vezes: “voce tão perua, como ela nunca usa laço?!” “assim ela vai parecer um menino!” 🙄 “como ela não gosta de vestido?!” “ela é muito nova para escolher”… 🤯 

É claro que existem ocasiões em que não caberão uma criança ir fantasiada simplesmente porque ela quer ir assim, mas, em muitas outras será de extrema importância que ela se sinta livre para se expressar… o que é o vestuário se não uma poderosa forma de comunicação?! Uma roupa “espalhafatosa” em uma criança tímida por exemplo, além de não expressar a sua personalidade, pode provocar no outro reações que a intimidem ainda mais. 

Entre dar voz e colocar limite, existe um ponto em comum: ambos devem ser feitos de forma respeitosa. Toda vez que decidimos pelo outro o que ele já tem habilidade para fazer, estamos passando a mensagem de que ele não é capaz e o privando de uma oportunidade incrível de exploração e desenvolvimento! Faz sentido?! 

P.S. Em tempo, a bebê antes avessa aos vestidos, hoje não quer tirá-los nem para dormir… mas, ainda assim, adora se vestir com camisetas de super heróis, bandas de rock (oi Papai!) e continua super travessa! =) Confiem no processo!

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