Antes imposições, Agora os melhores conselhos

Falo sim da relação Pai e filhos. O dia dos Pais se aproxima e parei para pensar nesta relação que se faz quase nova diante de tanta mudança que “sofreu”. “Sofreu” entre aspas porque não é no sentido de sofrimento e dor, mas, de transformação. As mudanças trouxeram esta relação para um contexto muito mais positivo, verdadeiro e atual.

Tive a sorte de ter uma mãe muito presente e solícita, do tipo que na adolescência me levava comprar CD da Wanessa Camargo (sim, eu sou sua fã até hoje) de madrugada em hipermercados 24horas enquanto esperávamos o horário de buscar o meu irmão na casa da namorada. Enquanto isto, o meu pai exercia muito bem o seu papel, papel este típico dos pais de sua geração e gerações anteriores, extremamente provedor, trabalhou duro e sempre proporcionou não só o que era necessário, mas tudo o que era também desejado por nós.

Como uma família padrão, minha mãe sempre foi a minha extensão, e foi difícil quebrar isto em momentos em que senti necessidade de voar sozinha como quando fui fazer a faculdade de Psicologia fora da minha cidade. Mas, em pouco tempo, a liberdade e a autonomia que eu ganhava suportava e almejava o corte do cordão umbilical. O meu pai era como nas linhas psicanalíticas a idéia de contato com o mundo, o corte da simbiose mães e filhos, mas que por alguns anos teve pouca profundidade nas relações, uma vez que este era o papel da mãe, dona de casa. Enfim, papéis antes muito definidos e extremamente bem cumpridos.

Ainda na Faculdade, mais uma novidade da “vida moderna”… meus pais se separaram, e só um filho (a) de pais separados sabe como este processo é dolorido para quem é da minha geração e viveu toda esta transição de papéis, diferente da realidade das crianças de hoje em que é raro encontrar o padrão de família conhecido anteriormente. Junto com a separação veio uma nova e incrível descoberta: um novo pai, o amor era o mesmo, mas o comportamento era outro, o que permitiu uma nova forma de se relacionar.

Meu pai, assim como muitos homens que se tornaram “comuns” hoje em dia, não tinha mais a mãe dos seus filhos como mulher e as tarefas já não podiam ser divididas. Assim, ele precisou se abrir, se tornar mais próximo e acessível para todo e qualquer assunto. Antes pai herói, agora pai verdadeiro com a coragem de demonstrar fraquezas e defeitos que tornavam ainda mais perceptível as suas qualidades. Uma forma mais verdadeira de se relacionar, exatamente como o que chamo de um dos meus valores de vida e que fazem parte da Abordagem Centrada na Pessoa.

Fico feliz quando vejo pais no Parque do Ibirapuera (SP) com filhos pequenos na bicicleta ou ainda quando vou tomar café da manhã na padaria e vejo cenas com os mesmos personagens. Este novo Pai, independente de ser pai separado, viúvo ou apenas o homem que hoje divide a tarefa de educar o filho com a esposa, é a certeza ou pelo menos a tentativa de relações mais conectadas, sem espaços para estereótipos e com amor e aprendizado de sobra, em uma relação em que todos saem ganhando.

Que o racional, na maioria dos casos, faz parte da essência masculina, e a emoção por sua vez, da feminina, todo mundo sabe. O que talvez ninguém tenha se perguntado é o que o fato da mulher ganhar espaço no mercado de trabalho causaria nos homens e nas relações que desenvolvem juntos. O olhar do pai rígido que antes era suficiente para demonstrar desaprovação, hoje dá espaço ao abraço, ao carinho e aos conselhos, do pai participativo, que vão desde uma simples orientação para a criança não colocar o dedo na tomada até o uso de drogas, pratica do sexo seguro e orientação profissional com adolescentes.

Esta nova forma de se relacionar também vai de encontro com a realidade de pais mais velhos, chamados “grey daddies” (pais grisalhos) que escolhem por serem pais de primeira viagem com uma bagagem de anos, experiência e estabilidade profissional muito superior a dos seus respectivos pais. Ou, dos pais que já possuem filhos adultos, e resolvem embarcar na paternidade novamente. É unânime a maior atenção dispensada e o convívio mais intenso nestes casos.

Fábio Jr. fez uma brilhante composição em homenagem ao homem mais importante das nossas vidas, e foi “visionário”…
“ Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez… “

Enfim, chegou o tempo de pais e filhos serem muito mais do que dois grande amigos. Assim como eu, faça do seu herói antes idealizado, um homem verdadeiro, aquele que vai errar tentando acertar, que pode até ficar contra você e te machucar quando você não conseguir enxergar que não está no caminho certo ou quando ele mesmo não conseguir aceitar que você já é capaz de fazer escolhas, mas, que ao perceber a sua felicidade genuína será o seu maior incentivador, na primeira fila da platéia, torcendo pelo seu sucesso e vibrando com cada conquista!

Pais e filhos: o amor incondicional que ultrapassa gerações!!!

FELIZ DIA DOS PAIS!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

quatro × um =