O desafio da Amamentação na UTI Neonatal

Dizem que quando nasce um bebê prematuro, nasce também uma mãe prematura (foto 01)! E é a mais pura verdade… no sentido físico e emocional! O meu corpo ainda não estava preparado, mas, não havia tempo pra isto… minha filha estava na UTI e eu só pensava em nutri-la. 24hs após o seu nascimento, comecei com a bomba manual (foto 02), cada gotinha contava… era tão pouquinho que transferíamos pra seringa pra entregar na UTI. Lá eles misturavam com a fórmula e davam pra ela. Se foi certo ou errado, eu não tinha a menor condição de avaliar, só queria ela bem e seguia o que recomendavam. 

Neste mesmo dia (14/08), à noite me permitiram tentar amamentá-la… ali tinha insegurança, tinha falta de jeito, mas, tinha também uma paixão tao grande (paixão sim pq não era a calmaria do amor, era êxtase, felicidade transbordante), um querer bem incondicional… foi avassalador o sentimento de tê-la em meus braços e no meu peito pela primeira vez (foto 03)! ❤️❤️❤️❤️

No dia seguinte (15/08) fomos da seringa ao recipiente de armazenamento… de forma muito tímida ainda, mas, já era um progresso (foto 04). Eu seguia tentando amamentá-la também, mas, confiava muito pouco no meu peito… preferia ter certeza de quantos mls ela estava ingerindo e, infelizmente, pouco fui encorajada na Maternidade pela consultora de amamentação com “tato zero” para mães de primeira viagem em uma UTI neonatal.  O olhar dela ao mamar era tocante demais, e, aqueles dedinhos tão indefesos que vez ou outra me acarinhavam eram uma explosão de amor e sensação de paz em meio a tantos monitores apitando (foto 05)! 🤱🏼🥰

Com a bomba elétrica hospitalar dupla fizemos um grande progresso, esporadicamente eu já conseguia produzir quase 60mls (foto 06). 🙌🏻 A cada 03hs ela era alimentada, uma hora antes de ir vê-lá eu começava a preparação de esquentar o pad de gel no microondas, colocar no peito para estimular a produção do leite, em seguida, ficava na bomba até esvaziar os dois lados e ia para a UTI. Antes de vê-lá tinha todo o processo de limpeza e vestuário adequado. Eu entregava o meu leite como quem entrega um troféu, feliz por cada ml a mais. A maior parte das vezes quem dava a mamadeira era o meu marido, eu ainda tinha mto medo, ela engasgava bastante enquanto tentava coordenar o respirar e o se alimentar ao mesmo tempo.

No dia 17/08, apesar da minha maior produção de leite, ela precisou colocar sonda para ser alimentada pelo nariz (foto 07), ja que ela não tinha forca de sucção e se cansava antes de ingerir o suficiente. Foi o momento mais triste de todos os dias que passamos ali! 😞 As enfermeiras diziam que ela gostava muito mais do meu leite do que da fórmula, que mamava maior quantidade quando o meu peito conseguia produzir, isto me deixava feliz, mas, me enchia de responsabilidade e culpa por uma produção que eu não controlava… 

O seu sorriso já era presente naquele momento tão desafiador, e, nos ajudava a acreditar que tudo ficaria bem! (foto 08)

Continuarei amanhã! 😉🥰 #SMAM2020 

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