Sobre “controle”, amamentação e peso!

Como assim peito não é transparente e não tem os “risquinhos de mls”? 😳 Como posso então “CONTROLAR” o quanto a minha filha ingere de leite materno por mamada?!?! Era exatamente assim que eu me sentia quando a Georgia completou dois meses e, por algum motivo, deixou de aceitar mamadeira… quem perdeu a nossa história, volte alguns posts que eu conto que, devido as dificuldades da amamentação na prematuridade, eu tirava leite a cada duas hs e dava para a Georgia na mamadeira, arriscando dar o peito vez ou outra. Foram assim inteiros 60 dias… ⏳

Justo eu que tinha me formado psicóloga, justo eu que tinha me especializado em transtornos alimentares, justo eu que lutava contra a necessidade de controle dos meus pacientes… justo eu estava ali tentando controlar o incontrolável… 🤦🏼‍♀️

Depois de testar TODAS as marcas de mamadeira do mercado, JURO, testei TODAS sem sucesso, ela não aceitava… depois de tentar TODOS os tamanhos e formatos de bico… TODOS… confiar no peito não era uma das opcões, era a ÚNICA opção que eu tinha! 🙇🏼‍♀️

Pra quem tinha trabalhado como consultora de enxoval aqui nos USA, parecia impossível que isto estava de fato acontecendo… será que de uma em um milhão fui eu a escolhida pra vivenciar a “confusão de bico ao contrário”?!?! Ou seja, entre peito e mamadeira, ao invés de optar pela segunda como a grande maioria, a minha filha tinha desaprendido a sucção artificial?!?! 👩🏼‍🍼🤷‍♀️🤱🏼

Na época eu tinha uma consultora de amamentação maravilhosa… não sei se maravilhosa profissionalmente, mas, como pessoa ela era incrível… ela chegava em casa, eu estava aos prantos, desesperada, achando que a minha filha morreria de inanição no minuto seguinte… ela sentava, posicionava a Georgia no meu peito e, em poucos minutos, ela já estava contando alguma coisa engraçada, gargalhando alto… com uma leveza que eu invejava e achava que nunca mais sentiria… 🍃

Ela pesava a Georgia antes e depois de mamar… e, de novo, JUSTO eu que já tinha sofrido tanto com a balança com o meu histórico de transtorno alimentar na adolescência… estava ali, agora torcendo para o ponteiro subir e pra minha filha ganhar peso… peso este que “no concreto” ela recuperou rapidamente, mas, que no pano de fundo da prematuridade que me cegava, eu não conseguia enxergar… e, assim como quem diz que só será feliz SE perder mais 02kgs, eu jurava que QDO ela alcançasse a marca de X kgs eu iria me tranquilizar… de X virou Y que virou Z… e eu nunca me permitia relaxar mesmo com a Georgia batendo as “metas” que eu “me” impunha… 🎯

Foram inúmeros ductos entupidos… ultrassom para verificar existência ou não de abscesso… madrugadas seguindo o ritual: 1. peito em banho maria, 2. esfregar tolha e 3. estimular com a bomba na tentativa de desentupir o que estava bloqueado… foram muitas respostas atravessadas todas as vezes que a minha mãe Eliane Harmbach em vão tentava me tranquilizar… e foram muitos kgs invisíveis aos meus olhos que minha filha ganhava graças ao trabalho maravilhoso que meu corpo fazia enquanto a minha cabeça não parava. 🤯

Nisto tudo tinha MUITO resquício do estresse pós traumático de um parto prematuro emergencial, da vivência intensa da UTI Neonatal… 😓

Escutei muitas vezes “deixa ela passar fome que você vai ver como ela aceita qualquer mamadeira”, “para de ser louca, você vive para amamentar”, “você está neurótica”… sei que apesar da agressividade, muitos destes comentários foram de pessoas que me amavam e que estavam desesperadas também por me ajudar, mas, eles só tornavam o abismo entre os fantasmas e a realidade ainda maior. 🗣🙄

Precisei que o tempo passasse, que a coragem de “curar” os traumas da nossa história chegasse para que os meus olhos pudessem de fato ver o que eu tinha diante do meu nariz: 👸🏼☀️

E você? Que medos te cegaram? Que lição você aprendeu quando achou que ensinava? 🤔 Vamos juntas! De mãos dadas! Conte comigo! ❤️

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